
O Elefante
Fui uma criança, como tantas outras, apaixonada por animais e suas curiosidades. Para que servem as corcovas dos camelos? Como diferenciar de um dromedário? Ou quantos quilos um elefante precisa comer diariamente?
E quase 30 anos depois pude levar a criança que fui a um Zoológico.
Mas lá, a curiosidade deu lugar para uma angústia devastadora, tudo era pequeno, inapropriado e cruel. Os elefantes não tinham grades, mas eram cercados por uma longa e assustadora faixa de espinhos de ferro por todo o chão.
As placas contavam as histórias, o que levou cada animal a parar ali? Num tom de salvação, o Zoológico contava o passado triste da criatura, descrevia a complexidade de seu habitat, mas ainda assim, ali na nossa frente, uma criatura abatida – no mais amplo sentido da palavra – era exibida sem vida.
Ali estava eu, por vezes tratado como salvo e cobrado por ser grato, tendo dó da criatura cuja o trabalho é ser observado.
O Elefante vem para mim como um lembrete: Que eu não me acomode em um olhar preguiçoso sobre o errado, que esquece, se cansa ou até mesmo negligencia o que não está certo. Que o passado sempre explica como as coisas estão, mas não explica como elas são ou deveriam ser.
Descrição: Um elefante adulto está com as quatro patas tocando o chão, seus cascos são vazados como se fossem invisíveis, seus marfins estão intocados e saudáveis, sua tromba parece balançar levemente, suas orelhas estão entreabertas.
Materiais:
Arame galvanizado
Dimensões:
Altura: 13 cm
Largura: 8 cm
Comprimento: 17 cm